Dados do Setor Energético atual

Desde a Revolução Industrial, a competitividade econômica dos países e a qualidade de vida de seus cidadãos são intensamente influenciadas pela energia. Em um mercado global, e em face das crescentes preocupações com o meio ambiente, essa influência se mostra cada vez mais intensa e decisiva. Nesse contexto, as economias que melhor se posicionam quanto ao acesso a recursos energéticos de baixo custo e de baixo impacto ambiental obtêm importantes vantagens comparativas.

Nas próximas décadas, essa questão se apresenta para o Brasil a um só tempo como um desafio e uma oportunidade. Desafio, porque o desenvolvimento econômico e social demandará uma expressiva quantidade de energia e com isso um alto grau de segurança e de sustentabilidade energéticas. Oportunidade, porque o Brasil dispõe de condições especialíssimas de recursos energéticos renováveis e de tecnologia para transformar suas riquezas naturais em energia e, dessa forma, agregar valor à sua produção de riqueza.

Para enfrentar esse desafio e aproveitar essa oportunidade, é necessário orientar e catalisar esforços de investidores, empreendedores e consumidores do setor energético, visando uma adequada interação entre esses atores. Nesse sentido, é fundamental a contribuição das instituições e equipes responsáveis pelo planejamento energético nacional, antecipando as situações, mapeando as alternativas, sugerindo estratégias, enfim, norteando as decisões. As necessárias transformações no setor energético nacional nos próximos 25 anos compreendem capacitação tecnológica, capacidade de gestão e inovação, viabilização de recursos para os investimentos e capacidade de articulação institucional, entre outras ações.

Neste contexto, começam a se destacar a alta demanda por Economia de Energia – Eficiência Energética, bem como para a geração distribuída e renovável desta, ou seja, geração de energia onde esta se faz necessária, com os recusrsos locais alí disponíveis. Com isso, a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos vem em muito somar com seu grande potencial energético, que através de processos térmicos específicos e já consolidados nos países desenvolvidos, podem ser devidamente tratados com relativa capacidade de produção de energia.

Projeção da População Total Residente

Segundo NOTA TÉCNICA DEA 28/13 – Projeção da demanda de energia elétrica para os próximos 10 anos (2014-2023) – EPE – Ministério de Minas e Energia – Governo Federal – a evolução da população brasileira na próxima década confirma a tendência de redução da taxa de crescimento populacional observada nos últimos anos. Conforme apresentado na Tabela 1, a média nacional da taxa de crescimento populacional do período será de 0,7% a.a.

tabela 1

Cabe ressaltar que a despeito da redução de sua taxa de crescimento, entre os anos de 2014 e 2023, a população brasileira aumentará em torno de 13,0 milhões de habitantes, número este próximo à atual população do estado da Bahia (14 milhões) e da Grécia (11,2 milhões, 2008) e um pouco inferior à do Chile (16,8 milhões, 2008).

Projeção do Número de Domicílios

Diferentemente dos resultados apresentados nos últimos censos que mostraram um decréscimo da taxa de crescimento da população, o número de domicílios particulares permanentes vem apresentando trajetória crescente para todas as regiões do país.

O número de domicílios é estimado através da relação habitante/domicílio, cuja evolução é obtida nos censos populacionais. No Brasil, espera-se que este valor, atualmente em torno de 3,2, atinja 2,9 habitantes por domicílio no final do horizonte (2023).

A tendência decrescente da relação do número de moradores por domicílio reflete alterações tanto no perfil sociodemográfico das famílias brasileiras quanto no perfil de renda. A queda do crescimento populacional, em virtude, especialmente, da queda da taxa de fecundidade total, o aumento de renda observado nos últimos anos e o estímulo ao financiamento habitacional são fatores que levaram ao aumento do número de domicílios.

A perspectiva de evolução da relação habitante/domicílio, em conjunto com a evolução da população estimada pelo IBGE, fornece o número total de domicílios, variável fundamental para a projeção do consumo residencial de energia. Na Tabela 2, são apresentados os resultados das projeções do número total de domicílios particulares permanentes do Brasil e das regiões para o período de 2014 a 2023.

tabela 2

Premissas macroeconômicas

Aqui temos um resumo das premissas macroeconômicas adotadas neste estudo, que seguem as linhas gerais dos cenários macroeconômicos de médio e longo prazos da EPE5 .

Ao longo do horizonte de estudo, espera-se uma lenta recuperação da União Europeia e dos Estados Unidos da crise que assolou grande parte das economias desenvolvidas. Além disso, há perspectiva de que a economia chinesa cresça a taxas menores, já que seu padrão de crescimento baseado em exportações e forte investimento público vem mostrando sinais de esgotamento, ainda que esta permaneça crescendo a taxas significativas – cerca de 7,5% a.a., segundo perspectivas do Fundo Monetário Internacional. Dessa forma, o cenário mundial para 2023 revela desafios que necessitam ser enfrentados para que o país alcance taxas de crescimento mais significativas nos próximos anos.

Com base no cenário mundial, a balança comercial brasileira será impactada negativamente pelas expectativas de taxas de crescimento inferiores para a economia chinesa, pela lenta recuperação da economia mundial, bem como pelo fato da expectativa dos preços das commodities não alcançarem o patamar atingido durante o chamado “super ciclo”. O menor superávit na balança comercial somado ao saldo negativo da balança de serviços e rendas resulta em déficits em transações correntes, que serão compensados pela continuidade de elevada entrada de capitais externos no país.

Em relação ao ambiente interno, um dos principais empecilhos para um crescimento econômico mais robusto são os gargalos de infraestrutura que de certa forma limitam a produtividade da economia brasileira bem como a competitividade de seus produtos no mercado externo. Entretanto, já há sinais de que estes gargalos vêm sendo combatidos, trazendo perspectivas positivas para o país.

No último ano intensificaram-se os leilões de concessões em infraestrutura o que representa maiores investimentos no setor. Tal fato impulsionará a taxa de investimento e a produtividade brasileira, o que proporciona um crescimento de médio e longo prazo mais forte e sustentável. Além disso, os investimentos no setor de exploração e produção de petróleo que serão efetuados para a extração de óleo da camada do pré-sal e no setor habitacional também contribuirão para ampliar a taxa de investimento brasileira. Nesse sentido, levando-se em conta o cenário descrito, espera-se que a economia brasileira cresça nos próximos dez anos a uma taxa média de 4,3% a.a., enquanto o mundo crescerá, no mesmo período, a 3,8% a.a. A evolução, por quinquênio, do crescimento econômico mundial e nacional é apresentado na Tabela 3.

tabela 3

Eficiência energética

A projeção da demanda de energia elétrica contemplou ganhos de eficiência energética, ao longo do período 2013-2023, que montam a 6,3% do consumo total de eletricidade no ano horizonte. Esse ganho adicional de eficiência no consumo final eletricidade representa uma redução no requisito de geração (carga de energia) em torno de 7,1 GWmédio, isto é, aproximadamente igual à soma das energias asseguradas das usinas hidroelétricas de Santo Antônio e Jirau.

Os ganhos de eficiência considerados estão fundamentados em rendimentos energéticos da eletricidade, por segmento de consumo, compatíveis com os dados do Balanço de Energia Útil (BEU) do Ministério de Minas e Energia (MME). Adicionalmente, no setor industrial, levou-se em consideração a dinâmica tecnológica de segmentos específicos e dos respectivos equipamentos de uso final da energia à semelhança de outros setores, como é o caso do setor residencial.

O BEU contempla valores dos rendimentos energéticos para os anos de 1984, 1994 e 2004, e, ainda, rendimentos de referência. Assim, é possível, para um dado segmento de consumo, construir uma curva logística passando pelos três pontos do BEU, relativos aos anos de 1984, 1994 e 2004, e aproximando-se progressivamente do rendimento de referência correspondente, o qual representa a assíntota da curva, isto é o limite de saturação.

Os rendimentos do BEU são apresentados, para cada setor/segmento da economia, por uso final: força motriz, calor de processo, aquecimento direto, refrigeração, iluminação, eletroquímica e outros. Assim, com o objetivo de utilizar um rendimento médio da eletricidade por setor, ponderaram-se os rendimentos por uso final pela participação dos usos finais no setor.

Foi essa a abordagem geral utilizada na formulação das premissas de eficiência no uso da eletricidade. Para o setor residencial, uma vez que a projeção da demanda de eletricidade utilizou um modelo de uso final (ACHÃO, 2003), foi possível fazer uma análise específica e detalhada dos ganhos de eficiência, inclusive avaliando premissas por tipo de equipamento eletrodoméstico e a substituição por equipamentos mais eficientes.

Ademais, é importante ressaltar que foi considerada uma eficientização adicional, por conta do esperado banimento das lâmpadas incandescentes que ocorrerá no horizonte em análise, em função da exigência de altos índices de eficiência energética para lâmpadas incandescentes constante na Portaria Interministerial N° 1.007 de 31 de Dezembro de 2010. Dessa forma, o estoque se tornará mais eficiente no período, pois as lâmpadas existentes serão paulatinamente substituídas por outras com consumo específico menor, reduzindo significativamente o consumo específico médio do estoque de lâmpadas. A Tabela 12 mostra os percentuais de redução do consumo por classe. Os montantes de ganho de eficiência alcançados, por classe de consumo, são ilustrados no Gráfico 17.

tabela 12

grafico 17

Projeção do consumo [2014-2023]

O Brasil situa-se atualmente, no que se refere à renda per capita e ao consumo per capita de eletricidade, numa posição bastante próxima à da ao da África do Sul. Contudo, a intensidade elétrica da economia brasileira é significativamente inferior às de outros países da China, da Rússia e da própria África do Sul (todos integrantes do BRICS), além de pouco superior às de Índia, México e Argentina.

Ao longo do período 2013-2023, o Brasil evolui no sentido de um maior consumo de eletricidade per capita, chegando ao nível de países como China e Chile ao final do horizonte, porém ainda abaixo do que se verifica em países mais desenvolvidos.

grafico 1

Brasil. Estrutura do consumo de eletricidade na rede, por classe (%)

estrutura de consumo de eletricidade no brasil

A análise por subsistema mostra que o maior crescimento do consumo de energia elétrica se verifica no subsistema Norte , de 5,9% anuais no decênio, sobretudo por efeito das interligações do sistema Macapá, a partir de julho de 2014, e do sistema Boavista, a partir de abril de 2016. Este último tem impacto relativamente pequeno, dado o montante do seu consumo. Desconsiderando-se as interligações, o crescimento médio anual do consumo no subsistema Norte seria de 4,1% ao ano no período 2013-2023.

tabela 21

Links:
Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE – EPE
PNE 2030 – Eficiência Energética

Plano Nacional de Energia – PNE 2030

O Plano Nacional de Energia – PNE 2030 é o primeiro estudo de planejamento integrado dos recursos energéticos realizado no âmbito do Governo brasileiro. Conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE em estreita vinculação com o Ministério de Minas e Energia – MME, os estudos do PNE 2030 originaram a elaboração de quase uma centena de notas técnicas. O trabalho fornece os subsídios para a formulação de uma estratégia de expansão da oferta de energia econômica e sustentável com vistas ao atendimento da evolução da demanda, segundo uma perspectiva de longo prazo.

O desenvolvimento dos trabalhos foi conduzido incorporando-se a necessária participação de importantes elementos da sociedade, com divulgação pública para esse tipo de estudo e ampla cobertura dos principais meios de comunicação. Além do ineditismo dos trabalhos realizados a cerca do PNE 2030, cabe registrar ainda que os estudos foram realizados em menos de um ano.

O PNE 2030 se constitui em estudo pioneiro no Brasil realizado por um ente governamental. É a primeira vez no país, no âmbito do Governo, que se desenvolve um estudo de planejamento de longo prazo de caráter energético – vale dizer, cobrindo não somente a questão da energia elétrica, como também dos demais energéticos, notadamente petróleo, gás natural e biomassa. As referências anteriores disponíveis no âmbito de entidades de Governo são os estudos da Petrobras, na área de petróleo e gás, e da Eletrobrás, como coordenadora do extinto Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos – GCPS, na área de eletricidade.

O PNE 2030 surge como uma referência nova e esperada, cumprindo um papel há muito reclamado por toda a sociedade. A EPE, como condutora dos estudos do PNE 2030, contribui de forma decisiva para a recuperação do processo de planejamento energético nacional, recuperação esta colocada, desde sempre, como objetivo inafastável pelo Ministro de Estado de Minas e Energia. Além disso, a conclusão dos estudos na forma e no prazo propostos reafirma o acerto na criação da EPE e consolida a instituição como referência do planejamento setorial.

Clicando no link abaixo você terá acesso aos principais documentos do PNE 2030, incluindo a íntegra do documento final (versão EPE) e a apresentação resumida feita durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética – CNPE em junho de 2007, quando o estudo foi oficialmente aprovado.

Link:
Documentos do PNE-2030

EPE divulga estudo sobre demanda do PNE 2050

A Empresa de Pesquisa Energética – EPE disponibiliza, no anexo abaixo, o estudo Demanda de Energia 2050, segundo de cinco estudos que irão compor o PNE 2050. Neste estudo são apresentadas as projeções para a demanda de energia total, que inclui gasolina, etanol, eletricidade entre outros.

Link:
Demanda de Energia 2050

Fonte: www.epe.gov.br  

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